DE VAUX, Roland. Instituições de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2004.
Roland de Vaux foi um arqueólogo francês, nascido nos primeiros anos do século XX. Ele era padre Dominicano e dirigiu a Escola Bíblica e Arqueológica de Jerusalém, importante instituição de estudo sobre Israel Antigo. Ele também foi um exegeta do Antigo Testamento, tendo trabalhado na Bible de Jérusalem, e liderou a equipe católica que trabalhou nas pesquisas dos Manuscritos do Mar Morto, descoberto em Qumran.
Uma vez que de Vaux teve sua formação na primeira metade do século XX, sua perspectiva de análise sofreu bastante influência das correntes “científicas” da Teologia, História e Arqueologia. Ele trabalhava com a idéia de que é possível reconstruir o modo de viver dos israelitas daquele período, desde que se usasse a metodologia correta para análise das fontes.
Com relação às fontes, o padre francês se valeu da Arqueologia, da Bíblia e de outras fontes escritas, provenientes dos outros povos da região do crescente fértil ou vizinhanças, como árabes, egípcias, mesopotâmias, persas, hititas etc. Nesse trabalho, ele relacionou essas fontes entre si, sem, em todos os casos, considerar a Bíblia como o relato mais próximo da realidade caso entrasse em confronto com as outras fontes.
Na introdução, além das fontes e do diálogo que travou com outros especialistas em Israel Antigo, de Vaux nos informa sobre o sentido que ele dá ao conceito Instituição. Segundo ele, são as formas de vida social que o povo aceita como costume, escolhe livremente ou recebe por imposição. Ele afirma que, de certa forma, o ambiente geográfico interfere nessas formas de vida social, mas que há um importantíssimo fator humano (motivado pela vontade dos homens) nessas instituições. Nesse sentido, de Vaux se aproxima da História Social francesa, desenvolvida pela École des Annales, escola historiográfica que modificou a historiografia mundial a partir da década de 1930. De vaux também se aproxima dessa escola devido ao fato de fazer uma história da longa duração, como a feita por Fernand Braudel.
Na primeira parte do seu trabalho, de Vaux analisa um período da história dos israelenses que, segundo ele, foi marcado pelo nomadismo. As tribos nômades que formaram Israel, segundo o autor, se assemelhavam, nesse aspecto, às demais tribos nômades da região chamada hoje de Oriente Médio. Para De Vaux, para se entender bem as instituições antigas de Israel, faz-se mister levar esse início nômade (ligado à criação de gado miúdo), pois muito da cultura israelita foi marcado por isso, como, por exemplo, o ideal de hospitalidade.
Na segunda parte, o autor discute as instituições familiares, discutindo questões ligadas ao conceito de família; casamento; relações entre gêneros e faixas etárias; e a relação com os mortos. O modelo de família (ou casa) israelita, segundo de Vaux, era patriarcal, apesar das tentativas de alguns etnógrafos em afirmarem que o início foi matriarcal. Segundo o autor, as fontes, mesmo as mais antigas, apresentam uma sociedade patriarcal.
Nas instituições civis, de Vaux discute a divisão social; as noções de Estado; a Monarquia e a Corte; Economia; pesos e medidas; direito e justiça; e como era feita a divisão do tempo. Com relação às instituições militares, o autor discute as formas de defesa e ataque e dedica uma parte considerável dessa seção para discorrer sobre a relação entre guerra e religião no Antigo Israel.
A última parte, que compõe metade do livro, é dedicada às instituições religiosas. Nela, é muito interessante perceber a relação da religião de Israel com as instituições dos povos vizinhos. O texto nos traz importantes informações sobre os primeiros santuários entres os povos semitas e em Israel, a construção e o papel do Templo de Jerusalém (e sua função centralizadora), a função sacerdotal e o levitismo. Uma importante parte de seção é a discussão sobre o sacrifício, em que é feita uma comparação do significado do sacrifício feito em Israel com o dos outros povos. De Vaux afirma que, embora Israel tenha sofrido influência dos povos vizinhos e tenha preservado algo de sua pré-história nômade, o Javismo apresentado nos textos do Antigo Testamento deu uma nova concepção ao sacrifício: é um dom (reconhecimento da dádiva de Deus); significa comunhão e expiação (perdão dos pecados).
A obra de Roland de Vaux é uma obra de referência muito importante, que deve fazer parte da biblioteca de todo aquele que se interessa pelo Antigo Testamento. Não é uma obra devocional, mas acadêmica, embora o autor tenha se dado ao trabalho de ser acessível aos leigos, evitando muitas notas de rodapé e discussões técnicas. Mesmo que o leitor não concorde com os pressupostos “iluministas” do autor, sua obra é muito importante para se conhecer a história social do antigo Israel.
2 Palavras boladas e reboladas por outros:
Hummm... apesar de eu não entender muito de História (nem de Bíblia), acho muito interessante ler textos assim. Eu gostaria muito de conhecer mais sobre a Bíblia, sobre o Antigo e o Novo Testamento e sobre assuntos relacionados à fé cristã. Você ainda está disposto/disponível para ser meu "mentor"? Você poderia me ajudar muito nessa trajetória... Eu sei que não sei muito e não leio muito, mas eu tenho vontade. =) Abração!
Combinado, minha Amiga!!!
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