sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Tenho um poema novo ("A partida, a partilha") publicado no blog da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB).
Por favor, passem lá e comentem.
http://abub.blogspot.com/2009/11/partida-partilha.html
Grato pela leitura de vcs,
Flávio Américo
sábado, 12 de setembro de 2009
Uma pipa e o Vento
Mas não digo que Ele é passado,
Pois, da pele, me lembra cada fio
Que Sua presença ainda se faz sentir.
Sou, como pipa, guiado pelo Vento
Com outras, fico colorindo o céu
Se não voar, a pipa deve virar réu,
Já que o papel da pipa é voar
E esse Sopro, esse Vento cálido,
Enche a terra com hálito de vida
Tolo, sem graça, é quem duvida
Morto, pois só respira o nada
Às vezes, quero amarrar o Vento,
Pois me angustia o parar de ventar
Todo tipo de cerimônia eu tento
Inútil, Ele “sopra onde quer”
Doce Vento, bondoso e livre,
Tenha piedade dessa pobre pipa
Guia-me, faze-me voar Contigo
E da queda eterna me livre.
Natal, julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
DOIS POEMAS SOBRE O AMOR
“Amar é ficar vulnerável”!
Certa vez, me disse alguém
Que aprendeu de outra pessoa,
E assim por diante
É tragicômico pensar nessa idéia
Ou seria um sentimento?
Eu sinto ter que pensar nisso
Ao mesmo tempo, penso sentir algo
Se “amar é ficar vulnerável”,
Estou perdido no meu amar,
Pois fico sem porto seguro,
Para onde olho, só há mar
Turbulento, escuro, gelado.
Quando queria um lugar
Calmo, feliz e cálido
Amar é sentir a presença do outro
Quando sua presença não é sensível
Não é querer o outro constantemente,
Mas tê-lo, constante, em mente
Mesmo quando não a quero
A quero muito, muito e muito
Talvez mais do que quando a quero,
Pois percebo que sinto a falta dela
Amar é saber que ela é eu
Andando despreocupado por aí
E que eu sou ela, ansiosa aqui,
Escrevendo esses versos
Amar é estar confuso sobre quem se é
É a morte do eu e, talvez, a vida do lírico,
Mas principalmente a vida dela em mim
Natal, 26 de julho de 2009
QUAL O SENTI(N)DO DO AMOR?
“O amor lança fora o medo”!
Mas o medo de quem?
Será o de quem ama?
Ou o de quem é amado?
Quem ama é amado?
Quem é amado ama?
Qual o senti(n)do do amor?
Ser amado por amar
Ou amar por ser amado?
Por que tanta interrogação
Se amar é a resposta?
Pergunta quem sabe que ama,
Mas não se sabe amado
Ou quem se sabe amado,
Mas não sabe se ama
“O amor lança fora o medo”
Quando não existe amado e quem ama,
Mas apenas, e isso é tudo, amor
Unindo tudo num corpo e alma
Pois o amor é castelo de areia
Construído por duas crianças,
Que, deixando a infância,
O farão forte como pedra
E viverão nele para sempre
Natal, 26 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
SER MAIS DO QUE UM VERBO
Está escrito: “EU SOU”
Eu, porém, não sou,
Pois só conheço incompletude
Tu és e somente Tu
Mas como posso não ser porque me faltas
E Tu seres independente de mim?
Não penso que sou só por perguntar
Me pergunto, inclusive:
“Quem sou para perguntar?”
Nunca fui
Nem ainda sou
Serei um dia
Agora sou um dia
Talvez um meio dia,
Ou melhor,
Umas 9 horas
Passo rápido
Cotidianamente
Daqui a pouco anoitece
E tudo será ontem
Aliás,
Tudo será nada, pois será passado
Meu ser é apenas verbal
Depende do tempo
Mas quando estiveres comigo,
Eu e o dia felizes seremos
Não vejo a hora da chegada desse dia
Como não vejo qualquer coisa que ainda não é
Por isso chamo de esperança
E por isso preciso de fé
Tal saber só a Ti pertence
Tudo que tenho é a confiança
De que, quando o esperado for,
A esperança não será mais
E a morte,
Essa sim a última que morre,
Descansará
Ser não será mais verbo
Não estará mais cheio do que perdi;
Do que penso que tenho;
E do que... “quem sabe?”
Ser será substantivo eternamente no infinitivo
Natal, inverno de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Para Rodolfo
Sempre gostei de ler quem escreve bem (mesmo que eu não concorde com as idéias do autor lido). Lia e leio por simples prazer e no desejo de aprender a escrever. Se o cara for bom de idéias e de texto (unir saber e sabor, como ensinaram Esidoro de Sevilha e Roland Barthes), melhor ainda. Gosto de ler Rodolfo pelo fato dele unir as duas coisas. A diferença de Rodolfo para os outros caras que gosto de ler é que ele mora aqui do lado do Rio Grande do Norte. E, de bonus, por graça, é meu amigo
Penso que meu amigo violenta as palavras, coitadas! Ele faz como Humpty Dumpty, personagem do Lewis Carroll. Ele as força a trabalharem mais do que o normal. A diferença é que eu não sei se ele também paga um acréscimo a elas. Acho que não paga.
É por não pagar que os textos de Rodolfo são tão ricos. Algo como um burguês explorando as palavras operárias, fazendo-as trabalhar mais do que o devido (?). Uma espécie de Mais-valia, mas que não é injusta e merecedora do Fogo Eterno, pelo contrário, faz jus à condição da palavra como lavradora, como aprendi quando ele me mostrou, burilando uma palavra, que “a pá-lavra”. Isso é coisa de poeta!
Comecei a ler poesia e a tentar ser poeta por causa de Rodolfo. Li ultimamente Pessoa.
Lembrei-me do meu amigo perrnambucano/mineiro/cearese/lugar-nenhum/todos-os-lugares. Talvez Nasceu Fernandes em mim também.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
COMUNIDADE DO DEUS TRINO: UMA IGREJA FEITA PRÁ VOCÊ
De repente, começou a tocar Liberdade de Marcelo Camelo. A música se mistou com o som da TV, que ficou ligada durante a noite para diminuir a solidão de alquém que dorme sozinho. Infelizmente era hora de acordar. Levantei-me, morrendo de sono, afinal eram 6 horas, e desci para tomar café. Por morar num quarto separado da casa, o que dá mais privacidade, me molhei numa brisa fria e macia daquelas que caem em junho. Na mesa, canjica, pão com manteiga e leite com Nescau e canela. Mas eu tomei meu café sozinho, pois meu irmão estava comendo na sala. Antes de ir trabalhar, escutei na TV:
– Banco Itaú, um Banco feito para você.
Uma mulher, depois de fazer movimentos circulares com o dedo, apontou para mim e para outros telespectadores. Mas tive que sair correndo apesar do convite, pois eu estava atrasado para a aula.
A manhã foi ocupada com aulas. Em um delas, discutimos sobre a Idade Média. Um aluno ficou admirado com a idéia de que os homens medievais (em geral) não decidiam sobre as profissões que exerceriam quando adultos (como no filme Bee Movie), sendo obrigados a viverem divididos, “por vontade de Deus”, entre os que oram, os que lutam e os que trabalham. Todos riram quando souberam que as famílias medievais dormiam, muitas vezes, no mesmo cômodo. Também estranharam a idéia de que a privacidade nem sempre foi do mesmo jeito, aliás, naquele período nem existia privada, única coisa privada no Big Brother.
Depois disso, percebi que os alunos não entendiam a idéia de que as pessoas da Idade Média enfatizavam mais a coletividade, muitas vezes, inclusive, em detrimento da individualidade (lembra-se dos filmes Formiguinha Z e Vida de Inseto?). Quando as aulas acabaram, fui almoçar. No almoço, vi na TV a propaganda de um banco promíscuo que pertence ao Pedro, à Paula, ao Flávio etc. Também tem lugar para o seu nome, leitor (a).
– Banco do (a) __________________.
Terminei de almoçar e voltei para a escola, pois teria mais aulas durante a tarde. Lembro que dei aula sobre o Brasil Republicano em uma turma do 2º ano. Eu disse algo, mais ou menos, assim:
– A democracia contemporânea se desenvolveu na transição da modernidade para a contemporaneidade, num contexto de valorização da liberdade e da individualidade, que foram bandeiras levantadas pelo Iluminismo, Revolução Francesa, Independência dos Estados Unidos e outros movimentos burgueses. No início das democracias contemporâneas, a participação dos indivíduos ainda era muito limitada, pois o voto era censitário (baseado na renda).
Continuei explicando que com a instituição do voto universal, as elites precisaram criar novas formas para controlar a sociedade. O Populismo, que foi uma dessas novas formas, é contemporâneo da propaganda, do marketing, da publicidade e das outras coisas que nos lembram/criam necessidades e nos prometem as soluções.
– Que bom que hoje somos livres para escolher. – Disse um aluno.
Terminei as aulas e fui para casa tomar banho e trocar de roupa. Jantei rápido, pois logo teria que dar aula seminário. Na aula, tentei mostrar aos alunos, futuros pastores, que Lutero, assim como Descartes, dava importância ao indivíduo. O alemão, que defendia o Sacerdócio Universal e o Livre Exame das Bíblia, afirmou estar submetido às Escrituras e à própria consciência. O francês escreveu, no Discurso do Método, que a base do conhecimento é o sujeito que duvida/pensa (“Penso, logo existo”).
– Não estou dizendo que esses homens criaram o Individualismo como entendemos hoje. Lutero dava ênfase à autoridade das Escrituras e ensinava que somos servos dos outros pelo amor. – Eu disse aos alunos. – Descartes defendia que, embora a base do conhecimento seja o EU, seria possível chegar, depois do uso do método, a uma verdade aceita por todos. Esses homens tentaram conciliar a individualidade com a coletividade. Essa união, essa tentativa de equilibro, é um princípio bíblico, como nos ensina a Trindade e a imagem de Corpo que é usada para explicar a Igreja. Essa idéia também é muito forte no filme Bee Movie.
Terminei o dia de trabalho, mas precisei passar no supermercado para comprar xampu. Então me deparei com um problema interessante. O de escolher entre vários produtos para o mesmo fim prático, isto é, limpar a cabeça. Talvez existam mais tipos de detergentes para cabelos do que tipo de cabelos. Veja uma pequena lista: lisos, crespos; para pessoas com pele morena, pele clara, amarela, negra etc.; para cabelos loiros, pretos, tingidos; para verão, inverno, outono e primavera; longos, curtos, médios; e assim por diante. Isso sem mencionar a variedade de marcas. Fiquei procurando um para a pessoa com o número de CPF igual ao meu. Quando comentei com uma pessoa que estava do meu lado que é difícil comprar xampu. Ouvi o seguinte:
– Passei 10 minutos para escolher um creme dental.
Depois de escolher o xampu, encontrei dois amigos no estacionamento. Dei carona para eles, pois ambos moram perto da minha casa. No caminho, conversamos sobre Igreja. Um deles me contou como aceitou a Jesus e o que o levou a fundar uma denominação depois de ter passado por 9 igrejas diferentes, que não satisfaziam o EU dele pelos mais diferentes motivos. O outro disse que não freqüenta mais Igreja, que prefere servir a Deus sozinho, pois as pessoas são muito complicadas e que cada pessoa tem o direito de interpretar as Escrituras do jeito que quiser, ou seja, cada um tem a sua própria opinião. Diante disso, pensei, embora não tenha dito:
– Deve ser por isso que ele está na terceira esposa.
O outro continuou falando da nova denominação.
– Pois é, irmão Flávio, abri a MINHA igreja por causa de uma revelação que EU tive. O nome da nossa denominação é Comunidade do Deus Trino. Nosso Tema é: “Uma igreja feita prá você”.
Flávio Américo Dantas de Carvalho
Natal, 11 de junho 2009
