sábado, 12 de setembro de 2009

Uma pipa e o Vento

O Vento passou e deixou arrepio
Mas não digo que Ele é passado,
Pois, da pele, me lembra cada fio
Que Sua presença ainda se faz sentir.

Sou, como pipa, guiado pelo Vento
Com outras, fico colorindo o céu
Se não voar, a pipa deve virar réu,
Já que o papel da pipa é voar

E esse Sopro, esse Vento cálido,
Enche a terra com hálito de vida
Tolo, sem graça, é quem duvida
Morto, pois só respira o nada

Às vezes, quero amarrar o Vento,
Pois me angustia o parar de ventar
Todo tipo de cerimônia eu tento
Inútil, Ele “sopra onde quer”

Doce Vento, bondoso e livre,
Tenha piedade dessa pobre pipa
Guia-me, faze-me voar Contigo
E da queda eterna me livre.

Natal, julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

DOIS POEMAS SOBRE O AMOR

AMAR É SER O OUTRO

“Amar é ficar vulnerável”!
Certa vez, me disse alguém
Que aprendeu de outra pessoa,
E assim por diante

É tragicômico pensar nessa idéia
Ou seria um sentimento?
Eu sinto ter que pensar nisso
Ao mesmo tempo, penso sentir algo

Se “amar é ficar vulnerável”,
Estou perdido no meu amar,
Pois fico sem porto seguro,
Para onde olho, só há mar

Turbulento, escuro, gelado.
Quando queria um lugar
Calmo, feliz e cálido

Amar é sentir a presença do outro
Quando sua presença não é sensível
Não é querer o outro constantemente,
Mas tê-lo, constante, em mente

Mesmo quando não a quero
A quero muito, muito e muito
Talvez mais do que quando a quero,
Pois percebo que sinto a falta dela

Amar é saber que ela é eu
Andando despreocupado por aí
E que eu sou ela, ansiosa aqui,
Escrevendo esses versos

Amar é estar confuso sobre quem se é
É a morte do eu e, talvez, a vida do lírico,
Mas principalmente a vida dela em mim

Natal, 26 de julho de 2009


QUAL O SENTI(N)DO DO AMOR?

“O amor lança fora o medo”!
Mas o medo de quem?
Será o de quem ama?
Ou o de quem é amado?

Quem ama é amado?
Quem é amado ama?
Qual o senti(n)do do amor?

Ser amado por amar
Ou amar por ser amado?

Por que tanta interrogação
Se amar é a resposta?

Pergunta quem sabe que ama,
Mas não se sabe amado
Ou quem se sabe amado,
Mas não sabe se ama

“O amor lança fora o medo”
Quando não existe amado e quem ama,
Mas apenas, e isso é tudo, amor
Unindo tudo num corpo e alma

Pois o amor é castelo de areia
Construído por duas crianças,
Que, deixando a infância,
O farão forte como pedra
E viverão nele para sempre


Natal, 26 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

SER OU NÃO SER

Leituras de Hamlet e do Sermão do Monte:



Natal, inverno de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

SER MAIS DO QUE UM VERBO

Está escrito: “EU SOU”
Eu, porém, não sou,
Pois só conheço incompletude
Tu és e somente Tu

Mas como posso não ser porque me faltas
E Tu seres independente de mim?

Não penso que sou só por perguntar
Me pergunto, inclusive:
“Quem sou para perguntar?”

Nunca fui
Nem ainda sou
Serei um dia

Agora sou um dia
Talvez um meio dia,
Ou melhor,
Umas 9 horas

Passo rápido
Cotidianamente
Daqui a pouco anoitece
E tudo será ontem
Aliás,
Tudo será nada, pois será passado
Meu ser é apenas verbal
Depende do tempo

Mas quando estiveres comigo,
Eu e o dia felizes seremos
Não vejo a hora da chegada desse dia
Como não vejo qualquer coisa que ainda não é
Por isso chamo de esperança
E por isso preciso de fé

Tal saber só a Ti pertence
Tudo que tenho é a confiança
De que, quando o esperado for,
A esperança não será mais
E a morte,
Essa sim a última que morre,
Descansará

Ser não será mais verbo
Não estará mais cheio do que perdi;
Do que penso que tenho;
E do que... “quem sabe?”

Ser será substantivo eternamente no infinitivo

Natal, inverno de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Para Rodolfo

Não sei você, leitor, mas gosto de escrever. Não sei dizer se sempre gostei. Talvez não. Talvez sim. Pode até ser que eu já gostasse antes, mas não soubesse. Sei, entretanto, que o gosto pela escrita nasceu/aflorou com a leitura de bons textos.

Sempre gostei de ler quem escreve bem (mesmo que eu não concorde com as idéias do autor lido). Lia e leio por simples prazer e no desejo de aprender a escrever. Se o cara for bom de idéias e de texto (unir saber e sabor, como ensinaram Esidoro de Sevilha e Roland Barthes), melhor ainda. Gosto de ler Rodolfo pelo fato dele unir as duas coisas. A diferença de Rodolfo para os outros caras que gosto de ler é que ele mora aqui do lado do Rio Grande do Norte. E, de bonus, por graça, é meu amigo

Penso que meu amigo violenta as palavras, coitadas! Ele faz como Humpty Dumpty, personagem do Lewis Carroll. Ele as força a trabalharem mais do que o normal. A diferença é que eu não sei se ele também paga um acréscimo a elas. Acho que não paga.

É por não pagar que os textos de Rodolfo são tão ricos. Algo como um burguês explorando as palavras operárias, fazendo-as trabalhar mais do que o devido (?). Uma espécie de Mais-valia, mas que não é injusta e merecedora do Fogo Eterno, pelo contrário, faz jus à condição da palavra como lavradora, como aprendi quando ele me mostrou, burilando uma palavra, que “a pá-lavra”. Isso é coisa de poeta!

Comecei a ler poesia e a tentar ser poeta por causa de Rodolfo. Li ultimamente Pessoa.

Lembrei-me do meu amigo perrnambucano/mineiro/cearese/lugar-nenhum/todos-os-lugares. Talvez Nasceu Fernandes em mim também.

Natal, 17 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

COMUNIDADE DO DEUS TRINO: UMA IGREJA FEITA PRÁ VOCÊ

Essa é a minha opinião
(Você nunca disse isso?)



De repente, começou a tocar Liberdade de Marcelo Camelo. A música se mistou com o som da TV, que ficou ligada durante a noite para diminuir a solidão de alquém que dorme sozinho. Infelizmente era hora de acordar. Levantei-me, morrendo de sono, afinal eram 6 horas, e desci para tomar café. Por morar num quarto separado da casa, o que dá mais privacidade, me molhei numa brisa fria e macia daquelas que caem em junho. Na mesa, canjica, pão com manteiga e leite com Nescau e canela. Mas eu tomei meu café sozinho, pois meu irmão estava comendo na sala. Antes de ir trabalhar, escutei na TV:

– Banco Itaú, um Banco feito para você.

Uma mulher, depois de fazer movimentos circulares com o dedo, apontou para mim e para outros telespectadores. Mas tive que sair correndo apesar do convite, pois eu estava atrasado para a aula.

A manhã foi ocupada com aulas. Em um delas, discutimos sobre a Idade Média. Um aluno ficou admirado com a idéia de que os homens medievais (em geral) não decidiam sobre as profissões que exerceriam quando adultos (como no filme Bee Movie), sendo obrigados a viverem divididos, “por vontade de Deus”, entre os que oram, os que lutam e os que trabalham. Todos riram quando souberam que as famílias medievais dormiam, muitas vezes, no mesmo cômodo. Também estranharam a idéia de que a privacidade nem sempre foi do mesmo jeito, aliás, naquele período nem existia privada, única coisa privada no Big Brother.

Depois disso, percebi que os alunos não entendiam a idéia de que as pessoas da Idade Média enfatizavam mais a coletividade, muitas vezes, inclusive, em detrimento da individualidade (lembra-se dos filmes Formiguinha Z e Vida de Inseto?). Quando as aulas acabaram, fui almoçar. No almoço, vi na TV a propaganda de um banco promíscuo que pertence ao Pedro, à Paula, ao Flávio etc. Também tem lugar para o seu nome, leitor (a).

– Banco do (a) __________________.

Terminei de almoçar e voltei para a escola, pois teria mais aulas durante a tarde. Lembro que dei aula sobre o Brasil Republicano em uma turma do 2º ano. Eu disse algo, mais ou menos, assim:

– A democracia contemporânea se desenvolveu na transição da modernidade para a contemporaneidade, num contexto de valorização da liberdade e da individualidade, que foram bandeiras levantadas pelo Iluminismo, Revolução Francesa, Independência dos Estados Unidos e outros movimentos burgueses. No início das democracias contemporâneas, a participação dos indivíduos ainda era muito limitada, pois o voto era censitário (baseado na renda).

Continuei explicando que com a instituição do voto universal, as elites precisaram criar novas formas para controlar a sociedade. O Populismo, que foi uma dessas novas formas, é contemporâneo da propaganda, do marketing, da publicidade e das outras coisas que nos lembram/criam necessidades e nos prometem as soluções.

– Que bom que hoje somos livres para escolher. – Disse um aluno.

Terminei as aulas e fui para casa tomar banho e trocar de roupa. Jantei rápido, pois logo teria que dar aula seminário. Na aula, tentei mostrar aos alunos, futuros pastores, que Lutero, assim como Descartes, dava importância ao indivíduo. O alemão, que defendia o Sacerdócio Universal e o Livre Exame das Bíblia, afirmou estar submetido às Escrituras e à própria consciência. O francês escreveu, no Discurso do Método, que a base do conhecimento é o sujeito que duvida/pensa (“Penso, logo existo”).

– Não estou dizendo que esses homens criaram o Individualismo como entendemos hoje. Lutero dava ênfase à autoridade das Escrituras e ensinava que somos servos dos outros pelo amor. – Eu disse aos alunos. – Descartes defendia que, embora a base do conhecimento seja o EU, seria possível chegar, depois do uso do método, a uma verdade aceita por todos. Esses homens tentaram conciliar a individualidade com a coletividade. Essa união, essa tentativa de equilibro, é um princípio bíblico, como nos ensina a Trindade e a imagem de Corpo que é usada para explicar a Igreja. Essa idéia também é muito forte no filme Bee Movie.

Terminei o dia de trabalho, mas precisei passar no supermercado para comprar xampu. Então me deparei com um problema interessante. O de escolher entre vários produtos para o mesmo fim prático, isto é, limpar a cabeça. Talvez existam mais tipos de detergentes para cabelos do que tipo de cabelos. Veja uma pequena lista: lisos, crespos; para pessoas com pele morena, pele clara, amarela, negra etc.; para cabelos loiros, pretos, tingidos; para verão, inverno, outono e primavera; longos, curtos, médios; e assim por diante. Isso sem mencionar a variedade de marcas. Fiquei procurando um para a pessoa com o número de CPF igual ao meu. Quando comentei com uma pessoa que estava do meu lado que é difícil comprar xampu. Ouvi o seguinte:

– Passei 10 minutos para escolher um creme dental.

Depois de escolher o xampu, encontrei dois amigos no estacionamento. Dei carona para eles, pois ambos moram perto da minha casa. No caminho, conversamos sobre Igreja. Um deles me contou como aceitou a Jesus e o que o levou a fundar uma denominação depois de ter passado por 9 igrejas diferentes, que não satisfaziam o EU dele pelos mais diferentes motivos. O outro disse que não freqüenta mais Igreja, que prefere servir a Deus sozinho, pois as pessoas são muito complicadas e que cada pessoa tem o direito de interpretar as Escrituras do jeito que quiser, ou seja, cada um tem a sua própria opinião. Diante disso, pensei, embora não tenha dito:

– Deve ser por isso que ele está na terceira esposa.

O outro continuou falando da nova denominação.

– Pois é, irmão Flávio, abri a MINHA igreja por causa de uma revelação que EU tive. O nome da nossa denominação é Comunidade do Deus Trino. Nosso Tema é: “Uma igreja feita prá você”.


Flávio Américo Dantas de Carvalho
Natal, 11 de junho 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ad Infinitum

- Perguntou o discípulo: "Mestre, quantas vezes devemos perdoar o próximo?"
Disse-lhe o Mestre:





"Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores". (Mt 6: 12)


NOTA: Agradeço a Renan Vinícius por ter colocado no PC o que estava na minha cabeça e a Neguinha pelas valiosas sugestões.